Meu Namoro Com Letícia – Parte 2 – Ela confessou tudo

Fui para o shopping e fiquei esperando na praça de alimentação. Ela atrasou 30 minutos, provavelmente ainda dando pro cara. Eu estava de coração partido. Durante esse tempo fui ensaiando as coisas que ia falar pra ela: ia jogar tudo na cara dela e dizer que acabou. Também pensei nas coisas que ela ia falar e como eu ia retrucar. Provavelmente ela ia pedir desculpas e pedir pra continuar o namoro, mas eu estava resolvido a terminar.

Ao chegar, a linguagem corporal dela estava bem relaxa, não estava parecendo se importar muito e nem parecia ter remorso. E isso que ela estava com outro cara 3 horas atrás!! Comecei a desembuchar: “Letícia, eu faço tudo por você e é isso que você faz? Me engana? Mente na cara dura??”. Ela não disse nada, só me olhava com a mesma cara de quem não estava se importando. “Não foi a primeira vez né? Pode falar a verdade, há quanto tempo você tá me traindo??”. Ela continuou em silência, parecendo que ia perder a paciência. Eu não conseguia entender como alguém podia se comportar assim. “E quando eu te perguntei se você tinha dado pra outros na faculdade e você disse que foram só beijos, você também mentiu né?” “Responde!!!!”

“Ai, Gu, você quer que eu diga o quê?” “Não tá na cara?? Não é óbvio? Chifrei sim, tava com outro, pronto, satisfeito?” “Mas porquê?? Não consigo entender!!” “Você pediu né, eu te falei no início do namoro que não queria namorar, que queria curtir a vida e você insistiu, deu nisso”. “Mas precisava mentir??? Era só terminar” “Eu não queria terminar, porque eu gosto de você, você é um fofo comigo, acabei não resistindo e queria o melhor dos dois mundos”. “E além do mais, você é bem sonsinho né… te chifrei debaixo do seu nariz e você não percebia”.

Eu fiquei chocado: “Tá, agora me conta, desde quando???? Quero saber tudo”. “Tem certeza?? Depois não fica com raiva hem?” Eu tinha que saber de tudo antes de terminar. Eu me conhecia, se ela não me contasse tudo eu ia ficar me torturando em casa e ia demorar pra partir pra outra. “Sim, quero saber de tudo”. “A primeira vez foi no dia que você me pediu em namoro”. “No mesmo dia?????” “Sim, logo depois que você saiu lá da república ele chegou” “Quem??” “O Bastos” “Que??? O Bastos??”

Bastos era professor da faculdade e eu fazia parte de um grupo de estudos liderado por ele. Ele tinha uns 40 anos, não era bonito, mas era bem másculo e, muito inteligente, tinha o respeito de todo mundo na faculdade. Ele me tratava normal, mesmo sabendo que tinha comido a minha namorada. Olhando em retrospecto ele não me tratava com deboche.

“Sim, eu tinha dado pra ele logo antes de a gente começar a namorar e ele é uma delícia na cama”. Eu tinha marcado de vê-lo e não desmarquei. “E você fico com ele mais vezes??” “Claro, ele é bom demais, fiquei com ele pelo menos uma vez por semana desde que começamos (àquela altura tínhamos 4 meses de namoro)”. “Então você tava com ele??? Hoje??” “Não”

“Como assim, tem mais gente? Você tava com quem? Foram quantos no total?” Eu perguntava feito uma matraca, coração saindo pela boca. “Eu tava com um garoto da economia, acho que você não conhece, ele é do 8o período e vem pouco aqui, conheci no ônibus”.

“Desde quando?” “Então você tá dando pros dois ao mesmo tempo?” “Sim, o Bastos é gostoso e experiente, mas o Marlos – o tal da economia – tem mais fôlego, ele não pára, é uma máquina kkkkkk”. Ela falava como se estivesse revelando suas aventuras a uma amiga.

“Quem mais??” “Fiquei com o Renato, o Matheus e o Léo da minha turma, mas foi coisa rápida, de uma ou duas vezes só”. Desta vez meus chifres arderam na minha cabeça. Todos eles me conheciam e me viam frequentemente, e sabiam que eu era corno sem saber. “E tem um que você não vai gostar” “Quem???” “O Gulliver”. Pra quem não se lembra, ele foi o veterano que ela ficou no primeiro dia que eu a vi, na calourada, no dia do trote. O apelido dele era Gulliver porque ele era o cara mais alto de toda a faculdade, tinha uns 2 metros. Metido, arrogante, maconheiro, não estudava, já estava há 5 anos na faculdade (que dura 4 anos) e se tinha completado a metade das matérias foi muito. É daqueles caras bem sociáveis mas que todo mundo sabe que não é boa companhia pra quem quer estudar ou quem tem algum objetivo na vida. Foi um baque saber que minha linda namorada, que, ainda que gostasse de festas, sabia da importância de estudar e queria ser alguém na vida, estava dando praquele idiota.

“O Gulliver?? De tanta gente você foi escolher logo ele??” A gente falou bastante sobre ele no início do namoro por ela ter ficado com ele e eu sempre soltava algum comentário de como ele era insuportável ou de alguma babaquice que ele tinha aprontado. “Falei que você não ia gostar”. “O que você viu naquele retardado??” “Você tá brincando né?? Já viu o tamanho daquele homem?? Toda mulher quer o Gulliver querido, todas comentam dele”. “Só porque ele é grande” “Tudo grande, hhahahahha”. Como assim? “Precisa falar ainda? Tudo grande”, ela falou apontando em direção ao meu pintinho. Meu rosto queimou de vergonha quando eu lembrei que ela tinha pedido pra meter meu “pintinho” como mais força há algum tempo.

‘Maior que o meu??” “hahahahhahahah, melhor mudar de assunto Gu”. Pronto, veio a confirmação, não só ela tinha dado pra vários caras, sendo um professor e mais 4 caras que me conheciam, mas ela achava meu pinto pequeno, a ponto de rir dele.

Ficamos em silêncio por um tempo, ela ainda sem muito sinal de remorso, nem sinal de pedir desculpas, eu segurando pra não chorar, mas finalmente soltei as palavras: “Você não vai pedir desculpas?” “Olha, eu não me orgulho de ter chifrado, mas você pediu, você insistiu no namoro que eu não queria, falei que queria curtir.. Então não… Não vou pedir desculpas, a culpa é sua”.

Eu, apesar de arrasado, juntei forças e disse: “Tá bom, então… Tá tudo acabado, adeus Letícia, não me procura mais e não fala mais comigo”. Levantei, me virei e saí de perto. Cheguei no carro e me debulhei em lágrimas. Eu amava a Letícia e estava de coração partido. Eu estava muito decepcionado e puto, mas ainda a amava, ou pelo menos a pessoa que eu achava que ela era…

Continua….

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