Marcela – Parte 3 de 10 – Decepção com o Namorado

No dia seguinte à conversa onde meu noivo revelou que seu chefe abusivo é o Antônio, o coroa que tirou minha virgindade, passei o dia refletindo. Um filme passou inúmeras vezes na minha cabeça: se o Antônio conta vantagem das meninas que ele pega, um dia ele ia acabar contando que tirou minha virgindade. Será que ele sabia que o Otávio era meu namorado?

Eu tinha várias opções: fingir de morta e deixar o assunto para lá, e torcer que o Antônio não contasse nada; falar pro meu namorado conversar com o Antônio sobre mim, para que ele soubesse que éramos namorados antes de falar alguma besteira; contar tudo pros meus pais e falar para eles conversarem com o Antônio para ele não contar nada pro Otávio ou, a mais “direta”, ir conversar com o Antônio pessoalmente.

Acabei escolhendo a última opção, porque não envolvia mais ninguém, e não deixava minha sorte depender do acaso ou dos outros. Enviei um SMS pro Antônio depois de uma meia hora escolhendo as palavras. “Oi Antônio, quanto tempo!! Como está? Queria conversar com você”. Ele me deixou ansiosa por dois dias sem responder e quando respondeu, foi seco: “Sobre?” “Precisa ser pessoalmente, mas é sério”. Ele respondeu com um “Ok” e marcamos de jantar.

Passei mais um dia extremamente ansiosa esperando por nosso encontro. É uma daquelas situações em que uma conversa pode mudar o rumo das nossas vidas, então a expectativa foi enorme. E além do mais eu não o via há muitos meses, porque ele parou de frequentar minha casa “para fugir da tentação”, segundo ele.

Naquela época, aos 19 ou 20 anos de idade, eu ainda não conhecia bem as leis da atração e fui pega de surpresa. Me preparei cuidadosamente para encontrá-lo (provavelmente instinto de fêmea), mesmo sem ter segundas intenções, mas não esperava ter aquele impacto quando nos vimos. Ele estava de terno, logo após o serviço, e mais bonito e sarado que antes. Devia estar indo na academia direto. Extremamente confiante e sempre com um ar superior e dominador, ele já me intimidou e senti sua presença masculina assim que nós cumprimentamos. Ele foi bem discreto, mas o beijo que ele me deu no rosto teve uma pausa a mais do que o normal. Sabe quando a atração é tão grande que seu corpo faz coisas que você não entende? Foi uma pausa a mais, um carinho a mais, um toque a mais, coisa de menos de um segundo, mas que representa a nossa conexão, e o fato imutável de que ele foi o primeiro homem dentro de mim. E que ele me possuiu muitas e muitas vezes. Me arrepiei e tentei não deixar óbvio meu desconcerto.

Depois de um pouquinho de conversa mole, botando o assunto em dia, ele finalmente me perguntou: “Mas Marcela, me diz, você disse que queria conversar sobre algo, o que foi?” “Então, eu estou preocupada com uma coisa. Meu namorado trabalha com você!! Eu não tinha noção, mas só caiu a ficha quando ele me falou seu nome”. “Como assim, quem é seu namorado?? “O Otávio” “Hahahaha, Não, você tá brincando?” “Tô falando sério”, disse eu, sem entender a risada. Ele olhou para mim meio incrédulo e meio que segurando para disfarçar que queria rir. “Tá, mas porque você está preocupada?” “Então… ele sempre falou de você, que você é bem exigente, e que você comenta das mulheres que você pega. E ele não sabe de você. Ele acha que foi meu primeiro, eu não tive coragem de contar que já tinha perdido a virgindade”. “Sim, ele me falou”. Senti aquela frase como uma pedrada! Meu namorado odiava aquele cara, porque ele estava falando sobre mim? “Ahn, como assim, falou o quê???” “Falou que tinha sido o primeiro da namorada”. “Como assim Antônio, o que ele falou de mim??”. Eu estava totalmente confusa e perdida.

“Ei, eu não sabia que era você, ele só comentou algumas coisas da namorada, mas para mim ela era uma desconhecida.” “Tá, mas o que ele falou??” “Primeiro me fala com o que você está preocupada?” “Fiquei com medo de você um dia contar que transou com a filha do fulano (meu pai) como comenta de outras mulheres e ele descobrir que eu não sou virgem”. “Ah, não se preocupa com isso não… Eu não posso contar para ninguém que a gente ficou, senão seu pai me mata, hahaha”. “E sua esposa também né??” “Não estou mais casado, a gente se divorciou. Tentamos de novo, mas não deu certo”. “Sinto muito Antônio” “Não precisa, foi melhor assim, estamos ambos mais felizes”. “Achei que essas outras mulheres que você estava pegando era traindo sua esposa”.

Daí ele soltou uma bomba. “Não.. Só traí com você. Mas você é especial” e ficou aquele silêncio no ar, com a imagem de seu pau enorme me penetrando de quatro passando pela minha cabeça rapidamente. Meu coração acelerou. Obviamente ele ainda me balançava. Mas eu mudei de assunto. “Tá, mas me fala o que o Otávio falou para você de mim”. “Ok, mas tem que ficar entre nós…” “Fala logo!” “Como ele te disse, eu comento das minhas aventuras, que tem sido muitas agora que estou solteiro e como você sabe, se deixar eu faço a noite inteira, né?” “Aham” respondi eu tímida e corando de vergonha, lembrando que ele me comia por horas e horas até eu não aguentar mais. “Pois é, sabe como é, papo de homem, a gente sempre gosta de comentar nossas conquistas e nesses papos eu comento algumas coisas, os outros caras no escritório comentam algumas coisas e o Otávio também sempre faz alguns comentários”. “Que comentários??” “Pois é, noite passada eu também tive que parar porque minha namorada não aguentava mais, pediu água”.

“Puta que pariu” pensei comigo… que mentiroso!!! Ele sempre termina em no máximo 10 minutos e eu fico a ver navios! Como eu disse anteriormente, nunca liguei muito para isso, afinal meu amor por ele é grande, mas ele contar vantagem de garanhão mentindo no trabalho me deixou meio puta. “Sério mesmo???  Ele fala isso direto?” “Direto, conversamos sobre isso quase toda semana e ele sempre fala a mesma coisa”. “Que eu sempre peço água”? Sim. Eu falei meio surpresa e acho que o Antônio captou. “Que bom que você está satisfeita né? Não é fácil encontrar alguém compatível na cama” ele disse me olhando para minha reação. “Pois é”, falei meio contrariada.

“Mas porque você riu?? Quando eu falei que ele era meu namorado??” “Ok, só vou falar se você prometer que não vai ficar puta comigo, promete?” “Claro”. “Então, ele fala essas coisas mas quando ele não está por perto a turma comenta que não acredita nele. Sabe como é né? Ele não tem jeito de pegador, ele é todo quietinho e bem comportado. Os outros comentam: – você acredita no Otávio quando ele fala que come a namoradinha a noite toda? Com aquele jeitinho afeminado?”. “Ei, afeminado não, tá? Ele é comportado mas não é afeminado”. “Tá, a galera pega pesado, mas sei lá, só não bate o que ele fala com a energia dele”. “Fora que como ele é o funcionário mais novo, o pessoal das antigas está sempre mandando nele e fazendo ele de capacho. Mandando ele pegar café, ou levar papel de um lado pro outro. Outro dia o Nura – o chefão da empresa – até deixou cair uma pilha de papel de propósito e mandou o Tavinho pegar e todo mundo se entreolhou rindo enquanto ele estava ajoelhado no chão juntando a pilha e o Nura disse: mais rápido Otávio, que garoto mole.” “Isso é maldade Antônio” “Eu não sabia que ele era seu namorado ora, desculpa!”. Eu ainda estava processando todas as informações. “Mas a gente estava errado, pelo jeito ele satisfaz sim a namorada, né?”

Eu ainda estava processando tudo mas o fato é que eu estava puta dele falar de mim pros outros assim, ainda mais por ser mentira. E também estava puta dele deixar os outros tratarem ele como capacho. “Afff, antes fosse, quem pede água é ele” “hahahah, é mesmo Marcela?” “Mesmo, to puta com essas mentiras dele”. “Não sei porque, mas eu sabia, ele é muito quietinho”. “Quietinho até demais”, concordei. “E também deu notar pelo seu jeito”. “Que jeito?” “Você não tem jeito de quem está sendo bem tratada”. “Ele me trata muito bem sim”. “Você entendeu”. “Entendi o quê?” “Preciso falar com todas as palavras?”. “Marcela, tá na cara que ele não te pega de jeito, pronto… taí… todas as palavras”. “Não mesmo”. E ficou aquele silêncio no ar, de novo.

Logo fomos embora do restaurante e antes de ir para seu carro ele me levou até o meu. Jogamos um pouco de conversa fora no caminho e ao se despedir ele me segurou e parou seu rosto a 5cm do meu, me olhando fundo nos olhos, que não escondiam minha atração por ele. A pausa durou uns 5 segundos, que pareciam uma eternidade, porque eu nunca tinha traído meu namorado.

Continua….

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